Olho ao redor. Procuro um sorriso sincero, um olhar sincero. Não encontro. Olho por todos os lados e só vejo a mesma coisa. Estou cercada. Vejo pessoas afogadas e também estou afogada. Mas não entendo esse mar. Não é um mar de tristezas profundas, muito menos de alegrias. Não é de brigas, nem de paz.Continuo olhando, procurando alguém que saiba nadar e nos ajude. O nosso salva-vidas. Mas não o encontro. Eu queria ser ele, e me decepciono com isso.
Encontro um olhar amigo, que também não quer se afogar e também queria ser o salva-vidas. Juntamo-nos e tentamos decifrar aquele mar, para depois ajudar os outros. Sabemos que um dia iríamos sair dali com certeza. As ondas vão e voltam. Fico feliz por saber isso, pelo menos o mar não é tão estranho assim. Porém queremos controlar as ondas, para que elas não nos peguem de surpresa e não acabem conosco.
Não desgrudo o olhar daquela pessoa, a única que me entende. Lutamos. O código do mar está bem na nossa frente.
Sinto o ar entrando e percorrendo o meu corpo normalmente. Conseguimos, mas não podemos ajudar os outros. Só você mesmo pode se libertar. Havia me juntado àquela pessoa que ajudou a me entender, mas fui eu quem me libertei e ela quem se libertou.Fomos fortes.
Agora entendo um pouco aquele mar. O mar das angústias.
03 de outubro de 2008
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