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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Flor esta que não sei mais

A flor estava seca. Desidratada, lá estava a flor. Ela estava no sertão, não fisicamente não, ou melhor dizer sim? Ela se fazia estar fisicamente, sem estar. O seu estado (qual sentido dele melhor aqui é empregado?) não tinha paradeiro. Despedaçada pelos pedaços desidratados, cansados. Faltava-lhe a água da vida. Seus espinhos tinham se deteriorado. Antigamente era uma rosa, e agora o ser poderia se apagar. O céu distante mantinha-se azul. A terra, negra como a noite que não se via. O azul cintilante, o verde fosforescente eram estrelas na noite brilhante, e a terra sufocante. Ah, flor! O azul finalmente enxergou o estado no meio do negro, com compaixão se acinzentou, se apertou, e acabou chorando. Lágrimas de ouro na flor foram caindo. Era a água da vida, uma vida não solitária, não mais cega. A vida que na alma resurigia.

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