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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Carpe diem

A Caixa Preta
boiava, perdida
ia e voltava
vinha e fugia
Sem vida
Sozinha


Além do mar, aqui,
haviam outros mares
As águas salgadas
A maresia bravia
Lágrimas salgadas e bravias


A busca incessante
O silêncio angustiante
A fúria impaciente
E o mudo inconsciente


O sol nascia tão verde
Mas se punha tão púrpura
O rio seguia seu percurso
na incessante busca


As margens viraram barro
O verde ao redor desapareceu
O sol se pôs
e não amanhecia


O trovão gritou
A criança se escondeu
A lágrima da mãe escapou
A dor apareceu
Mais silêncio
Mais angústia
Mais lágrimas
E a primeira certeza


A Caixa Preta voltou
Sem vida
A mãe e a criança
Os pequeninos dedos
foram se abrindo
A rosa branca, escapando.


A Caixa Preta e a rosa branca
Abraçados até a eternidade.
Abraçadas, mãe e filha,
deram o último adeus
e retornaram pelo mesmo caminho.

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