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quinta-feira, 22 de março de 2012

Borbulho II

Como num toque
Como num choque
O grito sufocado vem
A respiração se altera
O corpo parece cair
Os ossos não suportam o tamanho
Os músculos não suportam a força

A imagem a cutucar

O chão não anda
Mas com o estalo
As esteiras aceleram
E os passos não acompanham

Num instante estás a voar
Noutro instantes estás a cair
E entre voar e cair
Entre cair e levantar
Entre andar e correr
Entre correr e voar
A mágica ocorre

É uma lágrima a escorrer
Ou um riso a se abrir
Ou os lábios a tremer
Ou o corpo a se entregar
É um pulo, um salto
É um borbulho
que movimenta estaticamente
que para as ações rotineiras

É o ser a se mover
É o ser a se encontrar
É o ser a viver
É a vida a se mostrar

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