Era uma vez uma mocinha com
os olhos grandes e atentos, olhos de coruja que se interessavam pelas crianças
que via, pelo universo que continha nelas. Já um pouco maior, continuava a
brincar com as crianças que se entusiasmavam talvez pelo seu olhar curioso. Não
que ela tivesse muitas fantasias e ideias criativas para brincar, mas ela
estava ali, disponível para as crianças, presente e com vontade de construir
coisas juntas. Ela também virou atriz e adorava assistir espetáculos infantis,
se deliciava em meio àquele público pequenino e o mais atento que já tinha
visto. A fantasia e o lúdico brincavam à sua frente. As reações inesperadas as
deixava estupefata, maravilhada. Quando percebia, já tinha se transposto um
pouquinho para aquele outro universo cheinho de possibilidades, de
ressignificações, de fantasia, de histórias. Só que em seus cursos, ela só
trabalhava com teatro adulto. Um pouco encantada entrou para a faculdade. Além
de atriz queria ser educadora e tecer diversos caminhos, relações e construções
com pessoas pela vida. Acabou se afastando um pouco das crianças, uma vez ou
outra, em exposições de arte como educadora, tecia seus novos olhares para
elas. E, então, surgiu a escola e a vontade voltou a latejar. Quando se viu,
estava no meio das crianças, já um pouco distante, com o desafio de deslocar
seu olhar.
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