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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A menina dos olhos grandes


Era uma vez uma mocinha com os olhos grandes e atentos, olhos de coruja que se interessavam pelas crianças que via, pelo universo que continha nelas. Já um pouco maior, continuava a brincar com as crianças que se entusiasmavam talvez pelo seu olhar curioso. Não que ela tivesse muitas fantasias e ideias criativas para brincar, mas ela estava ali, disponível para as crianças, presente e com vontade de construir coisas juntas. Ela também virou atriz e adorava assistir espetáculos infantis, se deliciava em meio àquele público pequenino e o mais atento que já tinha visto. A fantasia e o lúdico brincavam à sua frente. As reações inesperadas as deixava estupefata, maravilhada. Quando percebia, já tinha se transposto um pouquinho para aquele outro universo cheinho de possibilidades, de ressignificações, de fantasia, de histórias. Só que em seus cursos, ela só trabalhava com teatro adulto. Um pouco encantada entrou para a faculdade. Além de atriz queria ser educadora e tecer diversos caminhos, relações e construções com pessoas pela vida. Acabou se afastando um pouco das crianças, uma vez ou outra, em exposições de arte como educadora, tecia seus novos olhares para elas. E, então, surgiu a escola e a vontade voltou a latejar. Quando se viu, estava no meio das crianças, já um pouco distante, com o desafio de deslocar seu olhar.

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