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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Segundo inesperado

Estou indo a pé ao serviço, conforme a minha rotina. Um segundo passa. Estou no chão, e segurando minha barriga que doi como nunca. Um segundo passa. Alguém segura minha mão, fico mais confiante. Um segundo. Sirenes me alertam. Um segundo. Relaxo, deitada na maca. Um segundo. Recebo um beijo na mão que me alivia. Um segundo. Tudo doi e fico desesperada, pois não era a hora. Um segundo. No hospital, a agunia me persegue, juntamente com aquela agulha. Um segundo. Apago. Um segundo. Acordo, e... cadê? Um segundo. Vejo-o dormindo na cadeira e me tranqulizo. Um segundo. O médico vem e me tira de perto dele. Um segundo. Ele corre e o deixam passar. Um segundo. Apago. Um segundo. A emoção nos toma conta. Um segundo. Ele me beija. Um segundo. Apago. Um segundo. Acordo e, ai meu Deus, preciso ir ao banheiro e não posso. Um segundo. Fico aliviada, ainda bem que a enfermeira chegou a tempo. Um segundo. O Vitor chegou, e estamos andando! Um segundo. Desabo no chão. Um segundo. Estou na cadeira de rodas. Um segundo. Vejo-a de novo! Um segundo. Volto para a cansativa cama. Um segundo. Como essa comida sem graça. Um segundo. Estou andando. Um segundo. Sinto dor, mas continuo andando. Um segundo. Ele vai embora. Um segundo. Durmo. Um segundo. Eles estão aqui! Um segundo. Estamos no carro. Um segundo. Em casa, seguro a nossa filha, e ele segura as nossas mãos e nos abraça.

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