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sexta-feira, 6 de março de 2009

Visão afetada

São todos uns cegos,
Os olhos não veem
E o coração finge não sentir.

A palma da mão
Mostra a história,
Mas a fecham para o Mundo
E socam tudo.

Os pés trilham os caminhos,
Porém preferem fazer deles tortuosos.
Passam rasteiras
Para todos se perderem.

O livro é fechado.
E não é feito de folhas
E sim de pó.

São todos uns cegos,
Que fazem, fazem
Sem fazer nada.

E dizem
Nem o que se quer
Ser ouvido.

E ouvem
A baboseira declamada,
sem sentido.

Andam
E não saem do lugar,
Ficam perdidos.

E pulam
Todos os detalhes,
Todas as fases
E se encaminham para um só lugar.

São todos uns cegos,
Que agem sozinhos
Na escuridão que fizeram do Mundo.

Só se vê o medo,
A vermelhidão perturbada,
A casa intacta,
Os carros enfileirados,
As motos inquietas,
O chão com Mal de Parkinson
E no meio de todas essas coisas,
Está lá o criador de cada uma,
Que se esconde atrás de uma falsa honestidade.

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