São todos uns cegos,Os olhos não veem
E o coração finge não sentir.
A palma da mão
Mostra a história,
Mas a fecham para o Mundo
E socam tudo.
Os pés trilham os caminhos,
Porém preferem fazer deles tortuosos.
Passam rasteiras
Para todos se perderem.
O livro é fechado.
E não é feito de folhas
E sim de pó.
São todos uns cegos,
Que fazem, fazem
Sem fazer nada.
E dizem
Nem o que se quer
Ser ouvido.
E ouvem
A baboseira declamada,
sem sentido.
Andam
E não saem do lugar,
Ficam perdidos.
E pulam
Todos os detalhes,
Todas as fases
E se encaminham para um só lugar.
São todos uns cegos,
Que agem sozinhos
Na escuridão que fizeram do Mundo.
Só se vê o medo,
A vermelhidão perturbada,
A casa intacta,
Os carros enfileirados,
As motos inquietas,
O chão com Mal de Parkinson
E no meio de todas essas coisas,
Está lá o criador de cada uma,
Que se esconde atrás de uma falsa honestidade.
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