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terça-feira, 28 de julho de 2009

Precipitar-se

A Pequena Gota de Água estava se divertindo. Encontrara tantos amigos, todos ficavam juntinhos, se aquecendo naquele inverno rigoroso. A conversa se desmanchava, e o tempo passava despercebido. Mais gotas foram chegando. Todas riam, brincavam, e se faziam de amigas. As falsas estavam pesando. O preto tomava conta do branco. Uma delas começou uma discussão, foram andando, andando, até chegar à beirada. A Pequena Gota assistia a briga, pasma. As gotas se aglomeravam mais para poder ver o show. A Pequena Gota se afastava daquilo. Enfim, o choro e sua explosão aconteceram. A Pequena Gota caiu, e todas as outras gotas também. O lugar era tão grande, e todas estavam dispersas. A velocidade com que a Pequena Gota caia aumentava cada vez mais. Ela, desesperada, tentava abraçar-se com alguém, porém nenhum amigo aparecia. Estava se aproximando de algo verde. E quanto mais próxima ficava, percebia que ele era composto de vários pedacinhos, que unidos formavam uma coisa só. O verde brilhava e o tamanho de cada pedacinho crescia conforme ela chegava perto. Então, caiu num deles. Era meio curvo, e tão cheio de vida, que a pequena gota ficou sem graça de ter caído em cima dele. Ela percebeu que começava a escorregar, tinha medo, medo de deixar algo magnífico sem antes conhecer, medo de espatifar no chão, porque agora ela o via e tinha noção do que era. A Pequena Gota chegou à ponta, numa parte mais estreita. Tentou se segurar, e ia se segurando o máximo possível para prolongar a sua partida inevitável. O seu peso e a força da gravidade fizeram com que ela se separasse dele. Ia rolando no ar pensando naquele momento único, e que foi bom daquele jeito, sem nada de diferente. Esperando a morte, caiu de olhos fechados. Ao abrir os olhos, deparou-se com todos os seus amigos. Abraçou-lhes como se o amanhã não existisse, e viveu apenas o presente.

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