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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sentei-me a espera.

Era meia-noite
A lua brilhava tanto, que parecia o sol.
Os segundos pareciam minutos, e os minutos pareciam horas.
Era tempo de mais para tempo de menos.
Muita coisa para pouco.
Era assim.
Um círculo do tédio, melancólico, da espera infundável.
O telefone tocava, mas não dava tempo de atendê-lo, e quando pegava o gancho pela mão, a linha caía. Parecia que não era possível alcançar algo.
Sentei-me a espera.

Era meio-dia.
O sol brilhava um pouco, mas parecia a lua e o céu estava preto.
Os urubus rondavam.
A carne morta.
A vida perdida.
Esperava ficar sem um olho, esperava ficar sem vida.

Era meia-noite.
Me levantei
O telefone não tocava mais.
As luzes estavam apagadas, e enxergava meu corpo nu pela lua.

Era meio-dia.
E o sangue escorria pelo nariz, mas não o via, não ouvia.
Os urubus gruniam, bicavam, a carne nem mais sangue escorria.

Era meia-noite
Era meio-dia

Deitei porque percebi que tinha chego a hora.
Encostou-se, porque a hora tinha chego.

Deitada, nua
Deitou-se, vermelho.

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