Era só falar, abrir a boca e soltar os sons. Mas ele não conseguia. Suas mãos tremiam, seu rosto pegava fogo, porém, ao mesmo tempo, suas mãos estavam geladas. Os olhos ansiosos por ouvi-lo, não o tiravam da vista. Era abrir a boca e falar. Começou. Na sua primeira tentativa as palavras saíram meio falhas, enroladas, percebia-se a vontade de rir dos ouvintes educados. Ele segurou as rédeas e continuou, afirmando cada vez mais a voz. Num ânimo, numa empolgação, conseguiu sustentar sua fala, conseguiu sustentar seus argumentos e sua opinião. Alguns diriam ser um medo bobo, um medo da desaprovação. Desaprovação dos familiares, dos amigos, dos desconhecidos, como se realmente importasse essas opiniões todas, que lhe poderiam ser indiferentes. Não é simples, o maior problema era ele, era interno, era a sua pressão, a sua autocrítica, a sua vontade de vencer, de conquistar tudo o que quer rapidamente, ao mesmo tempo, sem perceber o quão novo ainda era, quanto tempo ainda teria pela frente Basta construir seu caminho, seguir suas escolhas. Escolhas, escolhas, as escolhas e suas complicações. As escolhas e suas anulações, seu objetivos. Depois que se escolhe parece que tudo se esclarece. Sua vista se foca, sua vida se foca numa coisa só e tudo o mais faz sentido, ou é assim que ele esperava que acontecesse. Não podia mais complicar sua vida, colocar obstáculos onde não existiam. Continuou sua fala até o fim. Ao terminar, iniciou-se a discussão sobre o assunto, pois ele havia tocado num ponto muito importante e crucial. E assim seguiu-se.
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