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sábado, 23 de maio de 2009

O vôo que no coração fica

Cansada de tudo ela caiu. As grades no chão machucavam cada parte dela. Tentou se levantar, porém continuou espatifada. Olhou ao seu redor, não havia jeito. Na sua frente tinha mais grades, embaixo também. Atrás ele chegava, com uma malignidade de quem achava ter vencido. O rosto dela estava todo molhado, exausto, medroso e cauteloso. Procurava uma saída e viu que logo mais tinha uma parte da grade quebrada. Tarde demais, ele já chegara. Com um sorriso malandro foi para cima dela. Com uma mão segurou-a, sobiu-lhe o vestido e arrancou-lhe a calcinha. O cinto o impedia, ao tirá-lo, ela conseguiu, porbaixo dele, se arrastar um pouco, o que não adiantara. Ele bateu nela e a segurou, com uma das mãos terminou de libertar o que tanto queria usar nela. Encaixou. O prazer aumentava a cada grito dela, a cada lágrima derramada. O corpo dele pesava contra o dela, que tentava o repelir. As grades aumentavam as marcas que ele deixava. Cada parte dela ficou manchada pela mão dele. Mas a marca deixada entre a sua perna era maior.

Enfim, broxou. Enjoado de tudo aquilo, acendeu um cigarro e marcou o peito dela. Como se fosse pegar uma rosa, pegou uma arma. O espinho a atingiu em forma de uma cruel bala. Livrou-a de todos aqueles males cometidos por ele, como se fosse a salvação, mas concluiu a destruição. Saiu como se tivesse ido a uma balada.

Encontraram o corpo. Lormat foi chamado. Com esperança, acreditava que a encontraria andando, porém ao chegar viu que na verdade ela voava. Foi para casa, onde ela estava presente, viva em cada um daqueles lindos sorrisos inocentes. Eles foram desconcertados, quando os lábios se abriram para pergurtar pela mamãe. Os corações se espatifaram no silêncio.

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